quinta-feira, 22 de maio de 2008

Lua

Airton Mendes (05/2008)


Teu brilho ilumina meu caminho
Em tuas marés, meu ser flutua
Meu alimento é o teu carinho
Minha força, minha guia, minha lua

Fonte da minha inspiração
Boquiaberto a te admirar
Penso, quão felizes são
Aqueles que te sabem amar

Perdoa estas parcas rimas
Minha poesia meio sem jeito

Saiba que de tudo estás acima

E sempre estarás em meu peito

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Lado B

Airton Mendes
Na segunda metade da minha vida
Sinto as coisas voltarem
Ao ponto de partida
Ressurge em meu coração
A paixão que pensei perdida

O amor novamente
A pulsar nas veias
A alegria criança está de volta
Limpar a casa, varrer as teias
Peito aberto,
O coração preso, se solta

Na segunda metade da minha vida
Quero viver meu filho
Agora companheiro
Amigo e conselheiro
Consultor e professor


O lado b do disco
Torna-se o mais bonito
O plano definindo a direção
A calma no lugar do risco
A razão amiga da emoção

Na segunda metade da minha vida

Quero continuar a ser moleque
E acreditar que nada finda
Mesmo sabendo onde vou chegar
Quero levar a alegria da partida

domingo, 13 de abril de 2008

Minha Menina

Airton Mendes
(05/2006)
Minha menina
Me espere na esquina
Não cruze a avenida
Não olhe a vitrina

Espere, minha linda
Tua espera já finda
A vida dá certo
Se estamos mais perto

To chegando querida
Chegando da lida
Que lida com a gente
Com o corpo e a mente

Nos torna servis
Passivos, zumbis
Sem tempo pra paixão
Sem dinheiro pro pão

Mas calma, minha pequena
A vida sempre vale a pena
Temos tantos amigos
A nos mostrar os perigos

Temos pouco dinheiro
Agora em janeiro
Mas as coisas melhoram
Ao chegar fevereiro

Nossa vida é assim:
Eu pra você, você pra mim
Assim no começo
No meio e no fim

E assim vamos indo, a vida levando
Vivendo, cantando, sorrindo, amando
E aquilo que nos separava
No fim acaba nos juntando

O trabalho

Airton Mendes
(11/2007)
O trabalho enobrece o homem!
O trabalho empobrece o homem
O trabalho emagrece o homem
O trabalho entristece o homem

O trabalho engrandece o homem!
O trabalho envelhece o homem
O trabalho enrijece o homem
O trabalho enfurece o homem

O trabalho dignifica o homem!
O trabalho danifica o homem
O trabalho crucifica o homem
O trabalho petrifica o homem

O trabalho realiza o homem!
O trabalho inferniza o homem
O trabalho agoniza o homem
O trabalho martiriza o homem

O trabalho valoriza o homem!
O trabalho amortiza o homem
O trabalho cadaveriza o homem
O trabalho estatiza o homem

O trabalho, trabalho, trabalho
Trabalho, trabalho, trabalho

Porto

Airton Mendes
( Paraty, 26/12/2007)
No porto em que meu coração aporta
A saudade do porto anterior aperta
Mas a visão de novos mares aborta
O nascer da melancolia certa

No porto em que meu coração aporta
Novos amores me estão à espera
E o romantismo que do meu peito brota
Desembarca, se solta, se esmera

Eu, novato, humilde marinheiro
A navegar sem rumo nos mares da poesia
Encontrando em cada porto, um estaleiro
Com o barco para a travessia

Com ele me preparo para enfrentar
As tempestades e calmarias do caminho
Naquelas com os amigos posso contar
Nestas tenho que me virar sozinho

As tempestades não respeitam embarcação
Eu não as provoco, elas sempre existiram
Irrompem na vida, explodem no coração,
Corroem a alma, desonram os que fugiram

A calmaria, não se engane, é a solidão
Um bicho malvado, machuca por dentro
Às vezes se faz presente, às vezes não
Faz de seu peito sua morada, seu antro

E assim, neste navegar sem fim
Os mares do dia a dia vou singrar
Se o teu barco precisar de mim
O novato lá estará para ajudar

João e Luizão (Soneto dos amigos mortos)

Airton Mendes
(03/2008)
Queria tê-los comigo neste instante
Discutir, beber, conversar, conspirar
Somente hoje percebo quão importante
Era viver a vida sem medo de errar

Como era boa a utopia inocente
Que gostoso era o impossível sonhar
Que falta me faz de repente
Sair sem rumo por aí a cantar

João, meu eterno comandante
Guevara das minhas guerrilhas imaginárias
E você Luizão. meu irmãozinho querido

De vocês mais que a saudade candente,
mais que as lições libertárias
Trago o norte, o rumo a ser seguido

sábado, 12 de abril de 2008

Definições

Airton Mendes
(04/2008)
O momento define o instante
A saudade define o distante
A canção define o cantor
A paixão define o amor

A beleza define o poeta
A insistência define a meta
O tropeço define o começo
O trabalho define o preço

O largo define o estreito
O princípio define o sujeito
O caráter define a empreitada
A certeza não define nada

Boêmio

Airton Mendes
(04/2008)
Atrás do vidro do carro,
gotinhas de chuva fina
Por trás delas o neon colorido
Minha face ilumina

Uma única lágrima
Preguiçosa, desce devagar
Querendo até o final
Esta beleza espelhar

A cidade é mais bonita à noite
As pessoas caminham lentamente
os sorrisos são mais carinhosos
Os corações menos medrosos

A vida flui com mais calma
Na noite da cidade
A alegria invade a alma
A fantasia torna-se verdade

O bar é como a igreja
Recebe seus eternos seguidores
E também aquele que deseja
Naquele momento curar suas dores

A cidade é mais bonita à noite
As horas ficam mais lentas
A música é invariável companheira
A palavra mais livremente passeia

Que sonho irreal!
Que doce utopia!
Pena que tudo acaba
Com o nascer do dia

Subversos

Airton Mendes
(12/2007)
No reverso do meu verso
Guardada em desalinho
Está a subversão, conceito inverso
De todo o "fácil" do caminho

Subverter, os de baixo pra cima
Subverso, poesia de chão
Consciência, visão que ilumina
A rima entre poesia e pão

Poesia de povo, poesia crua
Na dificuldade do verbo, faz-se vida
Explode na garganta, ganha a rua
Torna-se forte, madura, crescida

Subverter a poesia, subverter a vida
Sobreverter alegria, amizade e amor
Por toda a imensa avenida
Onde passam ódio, inveja, mentira e rancor

Dos porões conceituais da burguesia
Desafiando a rima, quebrando a métrica
Levanta-se uma nova poesia
Subversiva, ultrajante, sintética

É a poesia da vida, a poética diária
Do dia-a-dia, da casa, do trabalho
Da consciência revolucionária
De no caminho não existir atalho

DIALÉTICA DA PAIXÃO

Airton Mendes
(04/2005)
Para Regina



O AMOR, AH! O AMOR...
QUE BOM SE SENTIR AMADO
SER PODEROSO, E FRACO
TÊ-LA NAS MÃOS
E SER POR ELA DOMINADO

QUE MARAVILHOSA CONTRADIÇÃO
É DIALÉTICA!
EXISTE OUTRA DEFINIÇÃO?
FORA PRINCÍPIOS! FORA ÉTICA!

AQUI VALE TUDO
O TODO NOS PERMITE!
A VIDA PÁRA
A RAZÃO SE CALA
E DEUS SE OMITE!

BAR (3)

Airton Mendes
(06/2005)
SÓZINHO
EM MEIO À TANTA GENTE
TE PROCURO

TUA VOZ ME ACALMA
(QUANTO CARINHO)

FOI-SE O ESCURO!
AO DIZER TEU NOME
ME SOSSEGA A ALMA

BAR (2)

Airton Mendes
(06/2005)
AO LADO
PAPO FURADO
À FRENTE
GENTE CARENTE

VIVO LIVRE
E VIVO CERCADO
ESTOU SÓ
E ACOMPANHADO

BAR (1)

Airton Mendes
(06/2005)

MOÇA BONITA
BOA APARÊNCIA
BOA CABEÇA?

OLHA...
OLHAR SUBLIMINAR

INTRIGA?
ENTREGA?
ESQUEÇA

TRADUZIR-TE

Airton Mendes
(01/2007)
COMO TRADUZIR REGINA?
SERÁ O BELO FACHO DE LUZ
QUE ALÉM DA FORÇA, ILUMINA.
E ALÉM DA BELEZA, SEDUZ?

SERÁ A PLENA HUMILDADE?
TÃO CLARA E TRANSPARENTE
QUE NO CONTRASTE COM A REALIDADE,
TORNA A VIDA INCONSEQÜENTE?

SERÁ PELA IMENSA BELEZA?
EXPRESSA NO SIMPLES SORRISO
TRANQÜILO, E QUE NOS DÁ CERTEZA
DA EXISTÊNCIA DO PARAÍSO?

SERÁ O ABSOLUTO DESPRENDIMENTO?
TÃO LINDA, SORRINDO E SERVINDO
MOSTRANDO QUE O MOMENTO
MESMO INESPERADO, É BEM-VINDO?

OU SERÁ A PERENE SIMPLICIDADE?
EXPRESSA EM ATOS E PALAVRAS,
CAMINHANDO AO LADO DA VERDADE,
SEM RECEIOS, NEM TRAVAS?

COMO TRADUZIR-TE?
MAGNÍFICO PRESENTE DE DEUS?
INVASORA VINDA DE MARTE?
CONCRETIZAÇÃO DOS SONHOS MEUS
!

Sou teu dono

Airton Mendes
(02/2005)

Sou teu dono
És minha dona
Te possuo, te tenho
Mas não mando em ti
E não mandas em mim

É este o verdadeiro sentido de amar
Possuir sem ser dono
Ser teu sem ser tua propriedade
Estar preso e ser livre